Mostrando postagens com marcador Cidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de agosto de 2013

Domingar no ponto certo

Domingo é dia de domingar, certo? Então nada melhor que um passeio pelas ciclofaixas do Recife! Não conhece ainda esse projeto da cidade?  Não experimentou ainda por quê? Bem, a nova prefeitura do Recife lançou há algum tempo um projeto para a nossa população se aproximar mais da própria cidade chamado "Eu amo Recife".  



Nesse projeto houve a ampliação e implantação em vários lugares da cidade, interligando  Zona Norte e Zona Sul numa longa ciclofaixa sinalizada por cones em todo o trajeto e respeitada por todos, cerca de 20 km, até agora. Brevemente irá privilegiar alguns (pouquíssimos) bairros da Zona Oeste.  Todo domingo e feriados a partir das 7h às 16h, há agentes controlando o trânsito, mais policiamento nas ruas e a prefeitura lançou a brilhante ideia do aluguel de bicicletas.

Essa não é uma notícia nova, com certeza, mas tenho sempre a obrigação de explicar, principalmente para nossos leitores que não são daqui. Mas uma explicação que tenho que dar, que muitos recifenses também não sabem, é sobre o processo de aluguel das bicicletas, pois muitos ainda não experimentaram esse meio. Em base do meu amor à cidade e, porque não tem ciclo faixa interligando meu bairro, fui obrigada com o maior prazer a alugar uma bike! 

Para alugar é muito fácil, e muitas pessoas desistem pelo fato de passar por um cadastro antes. Mas, vejam bem, o cadastro além de ser rápido e fácil de fazer, é preciso. Já imaginaram quantos casos de não-devolução (roubo) teriam? Então FAÇAM, mas exijam mais administração. Acordamos cedo para experimentar essa ideia e nos aborrecemos, já tínhamos o cadastro feito, dado o número de nossos cartões de crédito, só faltava ligar para desbloquear as bicicletas. Mas descobrimos que gastava-se crédito para ligar e a cada ligação falha, mais crédito (a ligação falha muitas vezes antes de finalmente pegar). Primeiro erro: não são apenas 5 reais que pagamos para utilizar a bicicleta, mas são os créditos da ligação.

Segundo erro vem pelo fato de que, quem não tem smartphone, não tem acesso total ao sistema (do BikePE), pois com o smartphone você tem a localização dos pontos de onde deixar a bicicleta, se tem vaga para deixar a bicicleta e quantas bicicletas disponíveis têm. Claro que você pode tirar a bicicleta com o VEM (Vale Eletrônico Metropolitano), mas você terá que andar rápido para devolver a bicicleta no PONTO CERTO. Terceiro erro: há 3 empresas/pontos de aluguel das bikes diferentes. Há o da Prefeitura do Recife, o do BikePE e o Porto leve. Mas não dá para diferenciar? Sim, o Porto Leve tem desenhos lindos pela bicicleta, mas os outros dois são laranjas e patrocinados pela ITAÚ. Em virtude, ou não, dessa má informação dada, as pessoas põem as bikes em qualquer um desses pontos, o que causa uma série de transtornos para nós e para os administradores.

Não é possível alugar a bicicleta se ela não estiver no local certo, ou seja, como saber se ela está no local certo ou não? Não tem ninguém para lhe auxiliar quando você liga para retirar a bike e quando você liga para retirar a bike da estação, lhe dão a informação de que "a estação pedida está em manutenção", mas se você estiver com um grupo de amigos e alguns já retiraram as bikes e deu problema nas outras "disponíveis",  onde achar o ponto CERTO mais próximo para retirar a sua bike, sem interromper o tempo de passeio deles que já está contando (e você não tem smartphone)? Desesperador e estressante.

Descobrimos, depois de 30 minutos corridos após dar problema  na retirada, que há um carro do ITAÚ, que tem como função colocar as bikes nos seus pontos certos, organizando-as. Mas como as pessoas passam o dia colocando nos pontos errados, esse carro passa o dia em funcionamento. O que poderia ser evitado, se nos fosse bem informado. Os agentes colocados para nos auxiliar, citados no início do texto, só sabem nos informar quais os pontos mais próximos, mas não sabem da variedade de aluguel.

Escrevo esse texto sem saber como funciona os outros dois tipos de aluguel, já que aceitei os serviços da BikePE, que possuí app para smartphones. E foi o único que achei mais explicado quando pesquisei para alugar.

São 5 meses, mais ou menos, de projeto. Apenas escrevo porque vi que eu e o meu grupo não fomos os únicos a passar por esses estresses. Sim, me diverti muito! Mas vi também pessoas desistindo de alugar por esses motivos citados. Não vou culpar a prefeitura, nem pedir uma passeata. Apenas peço melhoras para que um plano tão bom para a cidade dê certo. 


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sobre a decisão dos familiares da turista Bruna Gobbi.


Na última segunda-feira, dia 22 de Julho, morreu Bruna Gobbi, turista paulista que foi atacada por um tubarão na praia de Boa Viagem. Após a morte da adolescente a família decide processar o Estado. Depois do tio da garota declarar a vontade da família em processar o Estado tenho observado uma reação geral da opinião pública, qual seria ela? Vamos lá. "Agora o Estado tem culpa porque o tubarão resolveu morder a menina?" ou então: "Não foi por falta de placa indicando o perigo, ou assistência dos bombeiros que ela morreu, assumiu o risco e o Estado não tem nada a ver com isso."

Antes de formar uma opinião sobre qualquer assunto é interessante analisar todos os lados do problema, sempre há mais um ponto de vista. E no entanto, numa pesquisa rápida só encontro críticas à família Gobbi e NADA que relaciona a morte da menina a outro problema que pelo visto os pernambucanos esqueceram. Antes de me criticarem com unhas e dentes, por favor, leiam o que eu tenho a dizer, procurem outras fontes, se informem e depois tirem suas conclusões (opiniões diferentes devem sempre ser respeitadas), não sejam vítimas da notícia pronta, fujam do homem-massa.

O litoral metropolitano de Recife vai da praia do Carmo, em Olinda, à praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, num total de 30 quilômetros. Em toda essa extensão existem 88 placas com os dizeres: "PERIGO. Área sujeita a ataque de tubarão". Não foi por falta de aviso. No dia do acidente, Bruna foi socorrida rapidamente pelos guarda-vidas o que mostra que o litoral tem um eficaz corpo de bombeiros que está em constante alerta. Não foi por falta de assistência.

Por um momento, peço a quem lê este post que esqueça o caso de Bruna. A história pode nos apontar o porquê do Estado ter uma parcela de culpa não só na morte dessa turista, mas de todas as outras pessoas que foram atacadas e/ou mortas por tubarões em Recife. 

As ocorrências de ataques de tubarão no mar recifense começaram a ser contabilizadas e se tornaram mais frequentes desde de 1992. Antes desse ano não há registros desse tipo de ocorrência, logo, se acontecia, o que não posso dizer com certeza porque não existem registros oficiais, era algo muito raro. Então eu lanço uma pergunta, o que aconteceu com os tubarões para eles decidirem simplesmente se mudar? Por que saíram do seu habitat para atacar humanos? (Nota: os tubarões não ingerem a carne humana, eles atacam geralmente acreditando que estão se alimentando e ao perceberem o 'gostinho diferente', põem pra fora.)

E aí, pensou numa resposta? Ainda não? Apresento-lhes então alguns fatos.

Em 1983, o porto de Suape começou a operar e em 1991 começou a receber contêineres (não inventei esses dados, eles foram retirados da página oficial do porto: http://www.suape.pe.gov.br/), não é estranho que um ano após o início do tráfego de navios tenham se iniciado os ataques?

Não, não é nem um pouco estranho. O que não faltam são pesquisas que alertam os problemas ambientais causados pela construção de Suape. Não irei me aprofundar citando pesquisas e apontando prós e contras, aquela velha luta entre progresso e o meio ambiente (que geralmente sai perdendo). Entretanto é fato que com a construção do porto mangues foram destruídos, tais mangues eram utilizados como berçário das fêmeas de tubarão cabeça-chata que foram obrigadas a migrar para o estuário do rio Jaboatão, esse rio desemboca nas praias recifenses. 

Deixo-lhes mais algumas perguntas para acabar de vez com este texto. Se o governo sabia dos problemas ambientais que poderiam ser causados com a construção de Suape e mesmo assim seguiu com o projeto em nome do desenvolvimento, não seria ao menos correto e humano que o Estado pagasse uma indenização às vítimas? Ou, proibisse de vez o banho de mar em áreas perigosas, mesmo que essa decisão desagrade a população, mas a mantenha viva?