sábado, 22 de setembro de 2012

Bloco Cultural - Edição Política na viola

"Quando chegar o momento, esse meu sofrimento, vou cobrar com juros. Juro! Todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro" e com essa música ele fez um hino para a ditadura. Ele somente não foi o inimigo mais querido da ditadura, como conseguiu tirar do sério todos do governo ao cantarolar suas letras subentendidas. O bloco cultural vai falar sobre Chico Buarque de Hollanda, o mestre do violão e da criação.




"Não, eu não guardo mágoas", é assim que foi dito em uma entrevista em relação sobre o que ele guardava dos anos de luta pela liberdade de expressão. Após terem silenciado Geraldo Vandré, o alvo da censura se tornou tio o Chico, que simplesmente era inteligente demais em suas composições. Chegou em um momento que qualquer obra produzida por ele era motivo para censurar, mas ele não deixou se abater. Em 1973 ele começou a cantar "cálice" em um teatro em são paulo, quando lhe cortaram o som. Não dando para cantar a música completa, serviu dos sons onomatopeicos e dessa vez Gilberto Gil se juntou na aventura, para homenagear assim um estudante morto na ditadura, e conseguiram cantar a música "completa": 



"A ditadura me encheu muito o saco, mas também enchi bastante o saco dela", essa frase exemplifica muito do que ele fez. Fez músicas como Apesar de você e Meu refrão, e músicas com certas partes ou totalmente censuradas, como Vence na vida quem diz sim, Ana de Amsterdam, Não existe pecado ao sul do equador, Fado tropical, Bárbara e entre outras que puderam respirar ao fim da ditadura. Mas uma das mais importantes se tornou hino do movimento Diretas já, que foi a música Vai passar

Seus discos já não eram mais lançados, suas músicas tinham de ser mudadas pela censura, e tinha acabado de voltar de seu exílio na Itália , ele tenta mais uma vez passar pela censura jurando que iria ser barrado, eles liberam sua música Apesar de você. A música foi um estouro no Brasil, vendendo mais de 100 mil cópias, até que um jornal divulga o sentido real da música, que falava sobre o atual presidente Médici. E imediatamente foi mandado destruir todos os discos que haviam na fábrica da Phillips, mas na confusão esqueceram de destruir a matriz.

Julinho de Adelaide e Leonel Paiva, seus pseudônimos, vão liberar um pouco do sufocamento sofrido por Chico e assim ajudar na aprovação de algumas músicas inteligentes de crítica a ditadura. Mas finalmente quando o AI-5 foi abolida, ele pode gravar suas então músicas que foram cortadas, e ainda escrever letras que afrontavam o período da ditadura, como Folhetim, Não sonho mais e Geni e o Zepelim. 

Não teria condições de fecharmos um parágrafo com uma conclusão, mesmo que a história da ditadura tendo passado deixando sequelas, Chico continua escrevendo seus parágrafos com sua gloriosa liberdade de expressão. Chico Buarque mitou, mita e mitará na história e na música.

Júlia Luna

De morena tropicana à estudante de letras. Torcedora rubro negra e leitora do mundo. Faço da vida um carnaval, e da minha cultura a minha fé. " A palavra é meu domínio sobre o mundo".

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